Vou contar pra vocês a história de como minha mãe ganhou um sítio do INCRA em 1998.
Em 1998 minha mãe era professora municipal em Alto Alegre dos Parecís/RO, não vivíamos muito bem, aconteciam muitos atrasos de salários por parte da administração. Meu avô tinha falecido 2 anos antes e minha vó já tinha voltado para Rondonópolis/MT para morar perto do meu tio Manoel Messias. Nesse momento eu, minha mãe e meu irmão estávamos totalmente isolados da nossa família, largados a própria sorte, já que nós éramos os únicos que morávamos naquela região de Rondônia.
Minha mãe sempre foi muito religiosa e gostava de fazer trabalho missionário. Já fazia um tempo que ela vinha tocando um estudo bíblico num acampamento do MST que havia nas proximidades daquele município, distante mais ou menos uns 5 km.
Minha mãe resolveu deixar aquela cidade junto com os "sem-terra", que estavam acampados ali, mas que ganhariam propriedades em outra região do estado de Rondônia, na cidade de Buritís. Então, quando foi anunciada a partida, ela juntou as suas coisas, isso tudo decidido de forma muito rápida, e partimos para o sonho de ganhar 21 alqueires de terra, mais ou menos 50 hectares de terra.
A viagem para essa nova região já foi em si uma grande aventura. Fomos acomodados na carroceria de um caminhão grande, várias famílias amontoadas, sem muita opção nem para as necessidades fisiológicas. Na chegada em Buritís ficamos horas parados em um atoleiro numa fila de veículos.
Depois que chegamos em Buritís, ainda demorou um mês para ser definido onde seria nossa propriedade. Nesse tempo ficamos morando atrás de uma igreja evangélica, foi um período difícil, minha mãe desempregada, sem nenhuma fonte de renda, aceitava qualquer trabalho que pudesse, chegou a vender picolé para trazer algum alimento para eu e meu irmão.
Após uns 30 dias um representante do INCRA apareceu no local que a maioria dos colonos estavam acampados e nos mostrou a localização onde cada família receberia sua terra. Minha mãe recebeu uma propriedade com um rio de porte médio cortando por mais de 1000 metros, uma garantia de autosuficiência hídrica que fez muita diferença.
Dessa maneira ganhamos o sítio que fez parte importantíssima na nossa história.

